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Descoberta no Egito tumba de 3.300 anos
UOL ON LINE 14/04/2010
O Conselho Supremo de Antiguidades do Egito anunciou nesta quarta-feira (14) ter achado a tumba de Ken-Amun, um escriba da 19ª Dinastia (1.315 - 1.201 a.C). A descoberta ocorreu em Ismailia, a cerca de 120 quilômetros do Cairo. As informações são da Associated Press.
Segundo o representante do Conselho, Zahi Hawass, a tumba de 3.300 anos foi encontrada por arqueólogos durante escavações e estava junto com 35 outras tumbas da era romana.
Dentro da tumba, as paredes eram decoradas com relevos de cenas funerárias, inclusive do Livro dos Mortos.
As inscrições indicam que a mulher do escriba era chamada Isis e era musicista.
Trabalhadores das pirâmides 'não eram escravos', dizem arqueólogos
Cientistas apresentaram no Egito tumbas cuja localização, próxima das principais pirâmides, reforça a teoria de que esses grandes monumentos foram construídos por trabalhadores livres, e não por escravos.
Os túmulos, construídos cerca de 4,5 mil anos atrás, contêm os restos mortais dos trabalhadores que morreram enquanto levantavam as pirâmides de Quéops e Quéfren.
"Essas tumbas foram construídas ao lado da pirâmide do faraó, o que indica que essas pessoas não eram, de forma alguma, escravos", disse o arqueólogo que chefiou os trabalhos de escavação, Zahi Hawass.
"Se fossem escravos, eles não poderiam ter construído suas tumbas ao lado da do faraó."
Ele disse que a descoberta "pode ser a mais importante do século 21" em relação à civilização egípcia.
Os túmulos são feitos de argila seca, semelhante a outras covas descobertas em 1990, e datam das 4ª e 5ª dinastia (2649-2374 AC).
Tradicionalmente, as autoridades do Egito refutam a teoria de que as pirâmides foram construídas por escravos, alegando que essa hipótese – um "mito", em suas palavras – ignora as habilidades necessárias na construção e a sofisticação da civilização egípcia.
Evidências colhidas no sítio arqueológico indicam que 21 vacas e 23 cordeiros eram enviados diariamente para alimentar cerca de 10 mil pessoas que trabalharam na construção das pirâmides.
Segundo Hawass, é possível que os fornecedores da carne, fazendeiros no Delta do Rio Nilo e no sul do Egito, não estivessem pagando impostos ao governo, e sim fazendo parceiras com o governo nesses grandes projetos nacionais da época.
A rainha egípcia Cleópatra era, em parte, africana, de acordo com uma equipe de pesquisadores do Instituto Arqueológico Austríaco.
A conclusão foi tirada após a identificação do esqueleto da irmã mais nova de Cleópatra, a princesa Arsinoe, encontrado em uma tumba de mais de 2 mil anos em Éfeso, na Turquia.
As evidências obtidas pelo estudo das dimensões do crânio de Arsinoe indicam que ela tem algumas características de brancos europeus, antigos egípcios e africanos negros, indicando que Cleópatra provavelmente também era de origem étnica mista. A mãe de Arsinoe seria de origem africana.
Há muito tempo os especialistas debatiam se Cleópatra era norte-africana, grega ou macedônia. Seu ancestral Ptolomeu era um general macedônio que se tornou governante do Egito por ordem de Alexandre, o Grande.
Hilke Thuer, especialista da Academia Austríaca de Ciências que há muito tempo acreditava que a tumba era de Arsinoe, qualificou a descoberta como "sensacional".
"Ela dá novas informações sobre a família de Cleópatra e o relacionamento entre as irmãs Cleópatra e Arsinoe", afirmou.
Tumba controvertida
A tumba de Éfeso foi aberta pela primeira vez em 1926 e, até agora, havia um debate entre cientistas sobre a identidade de seu ocupante.
Mas técnicas forenses combinadas à análise antropológica e arquitetônica da tumba acabaram convencendo os especialistas de que o esqueleto encontrado pertence à irmã de Cleópatra.
O crânio foi separado do esqueleto para exame e acabou extraviado durante a 2ª Guerra Mundial. Mas a antropóloga Caroline Wilkinson reconstruiu a face baseada nas medidas tiradas na década de 20.
"Ela tem este formato alongado", disse a especialista ao jornal The Sunday Times. "Isto é uma coisa que se vê frequentemente em egípcios da Antiguidade e africanos negros. Pode sugerir uma herança ancestral mista."
Assassinato
Textos antigos achados na cidade, que pertencia ao Império Romano, indicam que Arsinoe foi enviada para lá depois de derrotada em uma luta de poder com Cleópatra e com o líder romano Júlio César, disse o jornal britânico The Sunday Times.
Muitos acreditam que quando Cleópatra estava envolvida com o general romano Marco Antônio, após a morte de Júlio César, a rainha egípcia ordenou que a irmã fosse morta para impedir uma possível futura disputa pelo trono egípcio.
O documentário Cleópatra: retrato de uma assassina, que será exibido na TV BBC-1 no dia 23 de março.
Arqueólogos encontram no Egito 14 tumbas do século 3 a.C
Fóssil pode ser "pai" do gênero humano
Novo hominídeo sul-africano, com 1,9 milhão de anos, seria ancestral de espécies como neandertal e homem moderno
Descoberta aconteceu com ajuda de filho pequeno e cão de pesquisador; cientistas divergem sobre relevância de artigo na revista "Science"
Se a interpretação dos cientistas estiver correta, o A.sediba seria o ancestral do gênero Homo - o grupo de criaturas a que pertence a humanidade moderna
REINALDO JOSÉ LOPES
DA REPORTAGEM LOCAL
O nome da nova espécie de hominídeo foi escolhido a dedo: Australopithecus sediba. "Sediba" é "fonte" em sesotho, uma das principais línguas nativas da África do Sul, e resume a interpretação dos descobridores da criatura. Para eles, a espécie é a antecessora direta do gênero humano, o Homo do célebre nome científico Homo sapiens. É, portanto, ancestral de toda pessoa viva hoje.
Na cultura popular, a nova criatura é a que poderia ser chamada de "elo perdido" entre homens e macacos -conceito já abandonado por cientistas. Independentemente do apelido que receber, porém, o A. sediba vai gerar polêmica.
Na disputado campo da paleoantropologia, apontar um fóssil como ancestral da humanidade equivale a mexer num vespeiro. Já há antropólogos contestando os "pais" do A. sediba, liderados por Lee Berger, da Universidade do Witwatersrand (África do Sul).
Disputas à parte, os fósseis de 1,9 milhão de anos -um macho adolescente e uma fêmea adulta- trazem novos dados sobre uma das fases mais importantes e confusas das origens do homem, quando a África estava coalhada de espécies de macacos bípedes, quase todas candidatas a bisavós da humanidade.
Dois desses bichos já conhecidos, o Homo habilis e o Homo rudolfensis, poderiam ser "rebaixados" a australopitecos graças aos novos fósseis, explicou Berger à Folha. "De fato, estamos sugerindo que o A. sediba é um melhor candidato a ancestral do Homo erectus [essa sim, uma espécie que quase todo mundo considera membro da linhagem direta do homem], embora sejamos cuidadosos nessa interpretação. Isso significa que o mais adequado seria colocar o H. habilis no gênero Australopithecus", diz ele.
Dentes pequenos e um quadril mais apropriado a longas caminhadas ou até corridas são a principal pista de que o A. sediba seria ancestral direto do gênero Homo, argumentam os cientistas em artigo na edição de hoje da revista "Science".
De cinema
A descoberta dos fósseis mais parece história de cinema. Berger, seu filho de nove anos, Matthew, e o cão da família, chamado Tau, prospectavam fósseis em cavernas perto de Johannesburgo, região famosa por outros restos mortais de hominídeos. Matthew tropeçou e, ao levantar, tinha nas mãos uma clavícula "humana".
A idade e a anatomia da criatura sugerem que se trata de um descendente do A. africanus, um hominídeo ainda mais antigo que habitou a mesma região entre 3 milhões e 2,4 milhões de anos atrás. "Esse material novo pode muito bem representar uma espécie descendente do A. africanus", diz Bernard Wood, professor de origens humanas da Universidade George Washington (EUA).
Wood, porém, completa o raciocínio com uma ducha de água fria: "Para mim não está claro que ele tenha qualquer razão especial para ser considerado ancestral do Homo".
Outro problema, acrescenta Fred Grine, antropólogo da Universidade Stony Brook (EUA), é a idade. "A espécie é tardia demais [para ser ancestral do gênero Homo]. É pelo menos 300 mil anos mais nova do que a primeira ocorrência do H. habilis na Etiópia."
Por outro lado, John Fleagle, também da Stony Brook, diz que o tempo não é tão importante. "A evolução humana nessa época era tão complexa que não dá para traçar uma árvore genealógica linear. É possível que os "ancestrais" sobrevivessem junto com seus descendentes. Imagine algo como a nova espécie espalhado pela África há 2,5 milhões de anos. Então a parte norte dessa população evolui e se torna o H. habilis. A parte sul pode muito bem não ter mudado muito em 500 mil anos", diz. "É uma descoberta incrível, e temos de dar crédito ao doutor Berger."
O exame feito na bem preservada caveira do macho adolescente --há também um fóssil de fêmea adulta, ambos de 1,9 milhão de anos-- mostra também o que seriam ovos de insetos fossilizados, informa o site LiveScience.
Para analisar o fóssil sem quebrá-lo, pesquisadores usaram raios-X gerados no Síncroton Europeu de Radiação, em Grenoble, França.
Sua resolução de imagem e alcance energético são bem maiores que das máquinas de raios-X convencionais. Pode obter detalhes de até 700 nanômetros, igual ao comprimento de onda da luz vermelha. Um nanômetro equivale a um milionésimo do milímetro.
Inesperado
Partes moles do corpo normalmente não fossilizam, mas o exame indica a existência de tecido cerebral degenerado por bactérias em uma área de baixa densidade da caveira.
"Uma maneira de explicar a cavidade é que, quando este indivíduo morreu, foi mumificado, e esta mumificação fez com que o cérebro encolhesse perdendo água, e levando a uma forma estranha", disse Paul Tafforeau, paleoantropologista do síncroton europeu.
Se for confirmada a existência do cérebro encolhido, estima-se que deve ser um vigésimo do tamanho original da espécie, por volta de 450 centímetros cúbicos. Já era pequeno quando comparado ao cérebro humano, de cerca de 1.600 centímetros cúbicos.
Notícias:
Descoberta no Egito tumba de 3.300 anos
O Conselho Supremo de Antiguidades do Egito anunciou nesta quarta-feira (14) ter achado a tumba de Ken-Amun, um escriba da 19ª Dinastia (1.315 - 1.201 a.C). A descoberta ocorreu em Ismailia, a cerca de 120 quilômetros do Cairo. As informações são da Associated Press.
Segundo o representante do Conselho, Zahi Hawass, a tumba de 3.300 anos foi encontrada por arqueólogos durante escavações e estava junto com 35 outras tumbas da era romana.
Dentro da tumba, as paredes eram decoradas com relevos de cenas funerárias, inclusive do Livro dos Mortos.
As inscrições indicam que a mulher do escriba era chamada Isis e era musicista.
Trabalhadores das pirâmides 'não eram escravos', dizem arqueólogos
Cientistas apresentaram no Egito tumbas cuja localização, próxima das principais pirâmides, reforça a teoria de que esses grandes monumentos foram construídos por trabalhadores livres, e não por escravos.
Os túmulos, construídos cerca de 4,5 mil anos atrás, contêm os restos mortais dos trabalhadores que morreram enquanto levantavam as pirâmides de Quéops e Quéfren.
"Essas tumbas foram construídas ao lado da pirâmide do faraó, o que indica que essas pessoas não eram, de forma alguma, escravos", disse o arqueólogo que chefiou os trabalhos de escavação, Zahi Hawass.
"Se fossem escravos, eles não poderiam ter construído suas tumbas ao lado da do faraó."
Ele disse que a descoberta "pode ser a mais importante do século 21" em relação à civilização egípcia.
Os túmulos são feitos de argila seca, semelhante a outras covas descobertas em 1990, e datam das 4ª e 5ª dinastia (2649-2374 AC).
Egito diz que teoria dos escravos não faz jus à civilização egípcia
Evidências colhidas no sítio arqueológico indicam que 21 vacas e 23 cordeiros eram enviados diariamente para alimentar cerca de 10 mil pessoas que trabalharam na construção das pirâmides.
Segundo Hawass, é possível que os fornecedores da carne, fazendeiros no Delta do Rio Nilo e no sul do Egito, não estivessem pagando impostos ao governo, e sim fazendo parceiras com o governo nesses grandes projetos nacionais da época.
Cleópatra 'era descendente de africanos', diz estudo
A imagem da Cleópatra branca européia está popularmente associada à atriz Elizabeth Taylor
A conclusão foi tirada após a identificação do esqueleto da irmã mais nova de Cleópatra, a princesa Arsinoe, encontrado em uma tumba de mais de 2 mil anos em Éfeso, na Turquia.
As evidências obtidas pelo estudo das dimensões do crânio de Arsinoe indicam que ela tem algumas características de brancos europeus, antigos egípcios e africanos negros, indicando que Cleópatra provavelmente também era de origem étnica mista. A mãe de Arsinoe seria de origem africana.
Há muito tempo os especialistas debatiam se Cleópatra era norte-africana, grega ou macedônia. Seu ancestral Ptolomeu era um general macedônio que se tornou governante do Egito por ordem de Alexandre, o Grande.
Hilke Thuer, especialista da Academia Austríaca de Ciências que há muito tempo acreditava que a tumba era de Arsinoe, qualificou a descoberta como "sensacional".
"Ela dá novas informações sobre a família de Cleópatra e o relacionamento entre as irmãs Cleópatra e Arsinoe", afirmou.
Tumba controvertida
A tumba de Éfeso foi aberta pela primeira vez em 1926 e, até agora, havia um debate entre cientistas sobre a identidade de seu ocupante.
Mas técnicas forenses combinadas à análise antropológica e arquitetônica da tumba acabaram convencendo os especialistas de que o esqueleto encontrado pertence à irmã de Cleópatra.
O crânio foi separado do esqueleto para exame e acabou extraviado durante a 2ª Guerra Mundial. Mas a antropóloga Caroline Wilkinson reconstruiu a face baseada nas medidas tiradas na década de 20.
"Ela tem este formato alongado", disse a especialista ao jornal The Sunday Times. "Isto é uma coisa que se vê frequentemente em egípcios da Antiguidade e africanos negros. Pode sugerir uma herança ancestral mista."
Assassinato
Textos antigos achados na cidade, que pertencia ao Império Romano, indicam que Arsinoe foi enviada para lá depois de derrotada em uma luta de poder com Cleópatra e com o líder romano Júlio César, disse o jornal britânico The Sunday Times.
Muitos acreditam que quando Cleópatra estava envolvida com o general romano Marco Antônio, após a morte de Júlio César, a rainha egípcia ordenou que a irmã fosse morta para impedir uma possível futura disputa pelo trono egípcio.
O documentário Cleópatra: retrato de uma assassina, que será exibido na TV BBC-1 no dia 23 de março.
Arqueólogos encontram no Egito 14 tumbas do século 3 a.C
Arqueólogos egípcios descobriram 14 tumbas históricas em um cemitério que data do século III a.C. no oásis de Bahariya, a 375 quilômetros ao sul do Cairo, informou hoje o Conselho Supremo de Antiguidades (CSA).
As tumbas são de pedra e contêm quatro máscaras de gesso, uma camada de ouro com desenhos dos quatro filhos do deus Hórus e utensílios de cerâmica e de cristal, segundo um comunicado do CSA.
Os arqueólogos encontraram também a múmia de uma mulher que mede 97 centímetros de altura e que está coberta com uma tampa de gesso colorido.
Após a descoberta, iniciou-se o processo de limpeza de várias moedas também encontradas no local para constatar o período ao qual pertencem.
No oásis de Bahariya, 250 múmias foram descobertas em 1996 no chamado Vale das Múmias Douradas, onde se acredita que possa haver mais de 10 mil corpos mumificados.
Essa descoberta contribuiu para que essa região desértica se transformasse em um dos pontos de atração turística, sobretudo para excursões de safári pelo Saara ocidental.
As tumbas são de pedra e contêm quatro máscaras de gesso, uma camada de ouro com desenhos dos quatro filhos do deus Hórus e utensílios de cerâmica e de cristal, segundo um comunicado do CSA.
Os arqueólogos encontraram também a múmia de uma mulher que mede 97 centímetros de altura e que está coberta com uma tampa de gesso colorido.
Após a descoberta, iniciou-se o processo de limpeza de várias moedas também encontradas no local para constatar o período ao qual pertencem.
No oásis de Bahariya, 250 múmias foram descobertas em 1996 no chamado Vale das Múmias Douradas, onde se acredita que possa haver mais de 10 mil corpos mumificados.
Essa descoberta contribuiu para que essa região desértica se transformasse em um dos pontos de atração turística, sobretudo para excursões de safári pelo Saara ocidental.
Fóssil pode ser "pai" do gênero humano
Novo hominídeo sul-africano, com 1,9 milhão de anos, seria ancestral de espécies como neandertal e homem moderno
Descoberta aconteceu com ajuda de filho pequeno e cão de pesquisador; cientistas divergem sobre relevância de artigo na revista "Science"
| Bret Eloff/Lee Berger/ Universidade do Witwatersrand |
REINALDO JOSÉ LOPES
DA REPORTAGEM LOCAL
O nome da nova espécie de hominídeo foi escolhido a dedo: Australopithecus sediba. "Sediba" é "fonte" em sesotho, uma das principais línguas nativas da África do Sul, e resume a interpretação dos descobridores da criatura. Para eles, a espécie é a antecessora direta do gênero humano, o Homo do célebre nome científico Homo sapiens. É, portanto, ancestral de toda pessoa viva hoje.
Na cultura popular, a nova criatura é a que poderia ser chamada de "elo perdido" entre homens e macacos -conceito já abandonado por cientistas. Independentemente do apelido que receber, porém, o A. sediba vai gerar polêmica.
Na disputado campo da paleoantropologia, apontar um fóssil como ancestral da humanidade equivale a mexer num vespeiro. Já há antropólogos contestando os "pais" do A. sediba, liderados por Lee Berger, da Universidade do Witwatersrand (África do Sul).
Disputas à parte, os fósseis de 1,9 milhão de anos -um macho adolescente e uma fêmea adulta- trazem novos dados sobre uma das fases mais importantes e confusas das origens do homem, quando a África estava coalhada de espécies de macacos bípedes, quase todas candidatas a bisavós da humanidade.
Dois desses bichos já conhecidos, o Homo habilis e o Homo rudolfensis, poderiam ser "rebaixados" a australopitecos graças aos novos fósseis, explicou Berger à Folha. "De fato, estamos sugerindo que o A. sediba é um melhor candidato a ancestral do Homo erectus [essa sim, uma espécie que quase todo mundo considera membro da linhagem direta do homem], embora sejamos cuidadosos nessa interpretação. Isso significa que o mais adequado seria colocar o H. habilis no gênero Australopithecus", diz ele.
Dentes pequenos e um quadril mais apropriado a longas caminhadas ou até corridas são a principal pista de que o A. sediba seria ancestral direto do gênero Homo, argumentam os cientistas em artigo na edição de hoje da revista "Science".
De cinema
A descoberta dos fósseis mais parece história de cinema. Berger, seu filho de nove anos, Matthew, e o cão da família, chamado Tau, prospectavam fósseis em cavernas perto de Johannesburgo, região famosa por outros restos mortais de hominídeos. Matthew tropeçou e, ao levantar, tinha nas mãos uma clavícula "humana".
A idade e a anatomia da criatura sugerem que se trata de um descendente do A. africanus, um hominídeo ainda mais antigo que habitou a mesma região entre 3 milhões e 2,4 milhões de anos atrás. "Esse material novo pode muito bem representar uma espécie descendente do A. africanus", diz Bernard Wood, professor de origens humanas da Universidade George Washington (EUA).
Wood, porém, completa o raciocínio com uma ducha de água fria: "Para mim não está claro que ele tenha qualquer razão especial para ser considerado ancestral do Homo".
Outro problema, acrescenta Fred Grine, antropólogo da Universidade Stony Brook (EUA), é a idade. "A espécie é tardia demais [para ser ancestral do gênero Homo]. É pelo menos 300 mil anos mais nova do que a primeira ocorrência do H. habilis na Etiópia."
Por outro lado, John Fleagle, também da Stony Brook, diz que o tempo não é tão importante. "A evolução humana nessa época era tão complexa que não dá para traçar uma árvore genealógica linear. É possível que os "ancestrais" sobrevivessem junto com seus descendentes. Imagine algo como a nova espécie espalhado pela África há 2,5 milhões de anos. Então a parte norte dessa população evolui e se torna o H. habilis. A parte sul pode muito bem não ter mudado muito em 500 mil anos", diz. "É uma descoberta incrível, e temos de dar crédito ao doutor Berger."
Há cérebro em esqueleto pré-humano, indica análise
Há um remanescente de cérebro primitivo e encolhido dentro da caveira do hominídeo divulgado na semana passada, indicam exames preliminares. A nova espécie encontrada, chamada Australopithecus sediba, é a mais nova candidata a ser o ancestral imediato do ser humano.O exame feito na bem preservada caveira do macho adolescente --há também um fóssil de fêmea adulta, ambos de 1,9 milhão de anos-- mostra também o que seriam ovos de insetos fossilizados, informa o site LiveScience.
| Divulgação/ESRF | ||
| Há cérebro em esqueleto pré-humano, indica análise com raios-X gerados no Síncroton Europeu de Radiação |
Sua resolução de imagem e alcance energético são bem maiores que das máquinas de raios-X convencionais. Pode obter detalhes de até 700 nanômetros, igual ao comprimento de onda da luz vermelha. Um nanômetro equivale a um milionésimo do milímetro.
Inesperado
Partes moles do corpo normalmente não fossilizam, mas o exame indica a existência de tecido cerebral degenerado por bactérias em uma área de baixa densidade da caveira.
"Uma maneira de explicar a cavidade é que, quando este indivíduo morreu, foi mumificado, e esta mumificação fez com que o cérebro encolhesse perdendo água, e levando a uma forma estranha", disse Paul Tafforeau, paleoantropologista do síncroton europeu.
Se for confirmada a existência do cérebro encolhido, estima-se que deve ser um vigésimo do tamanho original da espécie, por volta de 450 centímetros cúbicos. Já era pequeno quando comparado ao cérebro humano, de cerca de 1.600 centímetros cúbicos.
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